O homem está morto, caído de costas no chão sobre a relva. Não há ferimentos em seu corpo, ou marcas em seus pulsos, nem Buda no peito.
Apenas uma brisa fria sopra em direção ao mar, enquanto as Rádio-Patrulhas, cheirando a querosene, manobram apressadamente à beira da represa Billings para retornar à base.
Há pessoas que, de tanto consumir, acabam se tornando também um objeto de consumo.
Mas sofrem, porque não podem consumir a si mesmas. Amigos como pares de sapatos Sentimentos como sede de Pepsi. Mas, estes, não conseguirão também facilmente me assimilar, me consumir; porque, as coisas mais importantes, você não pode comprar. Poderá, quem sabe, comprar sentimentos bijuterias frases de ventríloquo beijos diet abraços slim...
Sonhos que desaparecerão, como as estrelas, após a última tragada, deixando apenas rastros, marcas molhadas ao lado da sua cama Aí então, você quebra essa sua cabeça oca no vão da porta à procura de alguma paz, alguma raiz, e não encontra nada. Nada!
Mas sofrem, porque não podem consumir a si mesmas. Amigos como pares de sapatos Sentimentos como sede de Pepsi. Mas, estes, não conseguirão também facilmente me assimilar, me consumir; porque, as coisas mais importantes, você não pode comprar. Poderá, quem sabe, comprar sentimentos bijuterias frases de ventríloquo beijos diet abraços slim...
Sonhos que desaparecerão, como as estrelas, após a última tragada, deixando apenas rastros, marcas molhadas ao lado da sua cama Aí então, você quebra essa sua cabeça oca no vão da porta à procura de alguma paz, alguma raiz, e não encontra nada. Nada!
E nós, muito provavelmente, já estaremos longe, numa jangada em alto-mar, mergulhados na água límpida da nossa essência
E seu poder oculto em nosso mundo não valerá mais que os vermes infelizes das fezes de um velho porco ou um coelho solitário
Talvez, irônico, eu até grite bem alto "bye bye!" ou tente te emprestar estes cadernos...
O velho está sentado na beira da cama estreita, mãos espalmadas sobre os joelhos, cabeça baixa, olhando fixo para o chão. Não faz ideia de que há uma câmera instalada no teto, bem em em cima dele. Em silêncio, o obturador clica de segundo em segundo, produzindo oitenta e seis mil fotos a cada revolução da Terra. Mesmo que ele soubesse que está sendo vigiado, isso não faria a menor diferença. Sua mente está em outra parte, perdida em meio às fantasias que lhe passam pela cabeça, enquanto busca uma resposta para pergunta que o atormenta.
Quem é ele? O que faz aí? Quando chegou e quanto tempo vai ficar. Com um pouco de sorte, o tempo nos dirá. Por enquanto, nossa única tarefa é examinar as fotos com o máximo de atenção, e evitar tirar conclusões apressadas.
Há uma série de objetos trêmulos no quarto, e na superfície de cada um deles foi grudada uma tira de esparadrapo, com uma só palavra escrita em letras de forma. Na mesa, por exemplo, a palavra é mesa. Na luminária, a palavra é luminária. Mesmo na parede, que não é uma objeto no sentido estrito da palavra, há uma tira de esparadrapo em que se lê parede. O velho ergue a cabeça por alguns instantes, vê a parede, vê a tira de esparadrapo colada na parede, e pronuncia suavemente a palavra parede. O que não se pode saber, a esta altura, é se ele está lendo a palavra na tira de esparadrapo ou apenas se referindo à própria parede. Pode ser que não saiba mais ler, mas ainda reconheça as coisas pelo o que são, e consiga chamá-las pelo nome, ou, ao contrário, talvez tenha perdido a capacidade de reconhecer as coisas pelo o que são mas ainda saiba ler.
Ele usa um pijama de algodão listrado de amarelo e azul e seus pés estão calçando chinelos pretos de couro. Não sabe ao certo onde está. No quarto, sem dúvida, mas em que prédio fica o quarto? Numa casa? Num hospital mal assombrado? Num presídio? Um hospício?
O que estas malas estão fazendo aqui?
Pus-me então a andar pelo quarto e a pintar alguns quadros que passavam velozmente pela minha cabeça
Sem querer, derrubei um pouco de tinta vermelha sobre a cama...
...Durante a madrugada, acordei ouvindo uma sequência de passos no apartamento de cima, e fiquei pensando sobre a possibilidade de haver, simultaneamente, duas realidades complementares. Assim como o dia e a noite, o consciente e o inconsciente... Vida e morte. Mas, haveria um tempo complementar? Um espaço complementar? Infinitos espaços? Infinitos "eus"? Onde eu me encontraria afinal?
...Não posso.
E seu poder oculto em nosso mundo não valerá mais que os vermes infelizes das fezes de um velho porco ou um coelho solitário
Talvez, irônico, eu até grite bem alto "bye bye!" ou tente te emprestar estes cadernos...
O velho está sentado na beira da cama estreita, mãos espalmadas sobre os joelhos, cabeça baixa, olhando fixo para o chão. Não faz ideia de que há uma câmera instalada no teto, bem em em cima dele. Em silêncio, o obturador clica de segundo em segundo, produzindo oitenta e seis mil fotos a cada revolução da Terra. Mesmo que ele soubesse que está sendo vigiado, isso não faria a menor diferença. Sua mente está em outra parte, perdida em meio às fantasias que lhe passam pela cabeça, enquanto busca uma resposta para pergunta que o atormenta.
Quem é ele? O que faz aí? Quando chegou e quanto tempo vai ficar. Com um pouco de sorte, o tempo nos dirá. Por enquanto, nossa única tarefa é examinar as fotos com o máximo de atenção, e evitar tirar conclusões apressadas.
Há uma série de objetos trêmulos no quarto, e na superfície de cada um deles foi grudada uma tira de esparadrapo, com uma só palavra escrita em letras de forma. Na mesa, por exemplo, a palavra é mesa. Na luminária, a palavra é luminária. Mesmo na parede, que não é uma objeto no sentido estrito da palavra, há uma tira de esparadrapo em que se lê parede. O velho ergue a cabeça por alguns instantes, vê a parede, vê a tira de esparadrapo colada na parede, e pronuncia suavemente a palavra parede. O que não se pode saber, a esta altura, é se ele está lendo a palavra na tira de esparadrapo ou apenas se referindo à própria parede. Pode ser que não saiba mais ler, mas ainda reconheça as coisas pelo o que são, e consiga chamá-las pelo nome, ou, ao contrário, talvez tenha perdido a capacidade de reconhecer as coisas pelo o que são mas ainda saiba ler.
Ele usa um pijama de algodão listrado de amarelo e azul e seus pés estão calçando chinelos pretos de couro. Não sabe ao certo onde está. No quarto, sem dúvida, mas em que prédio fica o quarto? Numa casa? Num hospital mal assombrado? Num presídio? Um hospício?
O que estas malas estão fazendo aqui?
Pus-me então a andar pelo quarto e a pintar alguns quadros que passavam velozmente pela minha cabeça
Sem querer, derrubei um pouco de tinta vermelha sobre a cama...
...Durante a madrugada, acordei ouvindo uma sequência de passos no apartamento de cima, e fiquei pensando sobre a possibilidade de haver, simultaneamente, duas realidades complementares. Assim como o dia e a noite, o consciente e o inconsciente... Vida e morte. Mas, haveria um tempo complementar? Um espaço complementar? Infinitos espaços? Infinitos "eus"? Onde eu me encontraria afinal?
...Não posso.
